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Sobre a artista

Clei Dirlean é estudante de Artes Visuais na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), reside em Florianópolis/SC desde 2014. A artista nasceu em Brasília/DF e formou-se em Ciências Sociais na Universidade de Brasília (UnB).

Dedica-se à xilogravura desde 2000, tendo estudado no Atelier Livre Xico Stockinger da Prefeitura Municipal de Porto Alegre/RS, no Espaço Cultural Renato Russo em Brasília e desde 2015 é artista residente na Oficina de Gravura do Centro Integrado de Cultura (CIC) em Florianópolis/SC.

Desde então, participa de exposições coletivas no CIC e na Feira de Artes de Florianópolis (FAF). Também participou da mostra de artes visuais do Festival Audiovisual Florianópolis (FAM) na UFSC, do Printcard Wroclaw na Polônia, ambas em 2016 e teve xilogravura publicada com sua colaboração na revista digital Èrudit, editado no Canadá em 2003.

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Retratos de Viagem Brasil

Clei Dirlean apresenta uma série de xilogravuras inspiradas na música Viagem Brasil, do trio instrumental brasiliense Jazzmine. As obras são retratos criados a partir da imagem evocada por cada estado do Brasil pela criatividade da artista.  O uso da arte do retrato, nascida do então novo interesse pela individualidade no Renascimento, é o recurso utilizado representar a incursão por toda uma nação. Permite a artista e ao público transitar entre a diversidade de indivíduos e o sentimento familiar de povo do nosso país continental.

Na época do Brasil Colonial, os retratos também foram pensados como contraponto nas pinturas realizadas para estudos da fauna, flora e tipos humanos que habitavam o país, especialmente no século XVII. Essas pinturas consistem em retratar um representante de cada etnia de forma realista, juntamente com frutas, plantas e animais do mesmo meio ambiente. Assim, os seres humanos desconstituídos de individualidade, pois serviam de modelos de um tipo médio -  como uma bananeira qualquer representaria todas as bananeiras, como exemplo a pintura “Índia Tupi” de Albert Eckhout de 1641.

Nesta série de xilogravuras são retratados indivíduos de hoje, que habitam o mesmo espaço daqueles, como uma demonstração de sua individualidade publicamente – por exemplo, como pessoas que escolhem como aparecer em público em suas próprias páginas através das redes sociais. A artista se inspirou em fotos de perfis de redes sociais de amigos, pensando na importância e igualdade que todos os perfis possuem naqueles espaços virtuais.

Fazendo referência aos retratos do século XVII citados, os retratos atuais também são compostos por folhas de diferentes plantas do país, mas não na tentativa de fazer ilustrações científicas, e sim no intuito de mostrar uma integração estética entre o indivíduo retratado e seu meio.

A xilogravura

A xilogravura é a técnica de impressão oriunda de entalhes em madeira com ferramentas específicas como, por exemplo, goivas e formões. Como um carimbo, é impresso o que está em alto relevo com tintas específicas em prensas ou manualmente. Tem origem oriental, e popularizou-se na Europa durante a Idade Média. No Brasil, sua expressão mais popular é a chamada Literatura de Cordel da região Nordeste. Sua estética tornou-se referência para a gravura brasileira. Com o avanço da tecnologia para esse uso, a xilogravura – também chamada simplesmente de xilo -  é utilizada atualmente como técnica artística